O que é?

O Projeto Desenrolares traz esse nome porque pretende desenrolar o que está confuso, complicado, buscando melhorar nosso entorno. De que forma? Simplificando, tornando as coisas mais claras e compreensíveis e, acima de tudo, buscando soluções.

Essa ideia surgiu da inquietude de Cristina Mattoso, uma cidadã, eleitora, consumidora e pagadora de impostos, que entende que o mundo pode ser um lugar muito melhor do que é, quando as pessoas acreditarem no valor de sua participação.

Era uma vez um rolo de papelão. Não era só um, eram muito mais… eram mais de 100, não, na verdade eram centenas de milhares de rolos de papelão, de vários tamanhos, que em todos os lugares desenrolavam papel, linha, corda, tecido, um montão de coisas. Normalmente passavam despercebidos porque só apareciam quando terminavam de desenrolar.

Pois bem, certo dia, um pequeno rolo apareceu na casa de uma mulher que tinha acabado de chegar da rua e precisou trocar de papel. Ela estava brava porque era início da época de propaganda eleitoral municipal, que iria escolher o prefeito e os vereadores da cidade onde morava. Ela achava muito difícil saber em quem votar porque as campanhas não ajudavam em nada. De que adiantava nome, foto, sorriso, número, sigla do partido e promessas vãs? Para que serviam os debates cheios de acusações mútuas? Estava mesmo muito brava e até um pouco nervosa, porque era muito importante para a cidade ter gente competente e honesta para cuidar do bem de todos.

Ela estava bravíssima, porque esse sistema, além de custar caro, não ajuda ninguém a escolher candidato e ainda por cima invadia, constantemente, a sua casa pela televisão.

Pois bem, foi nesse dia que, ao trocar o rolo do papel, com as mãos trêmulas, ela reparou, pela primeira vez, no miolo de papelão que se apresentava em suas mãos. Já o conhecia a vida inteira, mas nunca tinha reparado bem. Simples, prático, acessível a todos, cumpria fielmente seu papel de desenrolar. Olhou-o longamente, com respeito, admirando sua engenhosa simplicidade e capacidade de cumprir sua missão. E se perdeu em pensamentos…

“Esse rolo, suporte para desenrolar papel, poderia ser um porta-voz do cidadão. Um símbolo de desenrolar enrolação. Afinal, tinha chegado novamente a hora dos eleitores serem enrolados pelo sistema eleitoral caríssimo, ineficiente e impiedoso, que costumava eleger os que faziam a melhor propaganda e não as pessoas mais preparadas para cuidar da cidade.”

Essa mulher tinha mesmo muita imaginação e pretensão. E se ela se tornasse uma espécie de flautista de Hamelin, capaz de atrair todos os rolos que infestavam a cidade e os conduzisse numa grande passeata de papelão para serem reciclados no dia da votação? Começou a imaginar centenas de rolos indo para as escolas onde as pessoas iam votar, clamando por mudança. Rolos de papel levados por quem não se conforma com essa maneira de escolher seus representantes, pessoas decididas a se despedir deste sistema eleitoral que não ajuda ninguém a escolher candidato.

Como iria conseguir esta proeza? Olhou-se no espelho assustada com a pretensão e o tamanho dessa ideia e perguntou a si mesma:

– Espelho, espelho meu, existe nesta cidade alguém mais indignada, teimosa e pretensiosa do que eu?

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