Um pouco de mim

Terminei o ensino médio e não fui para a universidade. Isso me incomoda um pouco. Fui criada num colégio católico a maior parte do tempo escolar e quando me formei no colegial decidi adiar o vestibular e fui viajar.  Por não ter um currículo respeitável, vou contar um pouco de mim e do que gosto de fazer.

Sou comunicativa, mas nem sempre. Gosto muito de estar com os queridos da família e os amigos, mas preciso estar só também.  O silêncio é importante para mim.

Gosto de estar em meio a natureza, viajar,  fotografar,  escrever, ler e ouvir poesias.  Quando estou sozinha gosto de cantar, dançar e escrever. 

Sou fã  de  música popular brasileira, gosto de um forró, operetas americanas e também de ouvir  Chopin, Bethoven, Bach, Vivaldi...  

 

Clarice Lispector, Guimarães Rosa,  Rubem Alves,  Adélia Prado, Clarice Estes, Thich Nhat Hanh, Walt Whitman, Mario Quintana, Fernando Pessoa, Edgard Telles Ribeiro, Maria Antonia de Oliveira, são alguns dos autores que me encantam e me levam a viajar.

No cinema  não me esqueço  de  A festa de Babette, Juan de Marco, Perfume de Mulher,  Baraca,  Escritores da Liberdade, Hanami, Cerejeiras em flor,  Eu tu eles,  Kiriku e a Feiticeira, Meu amigo Totoro e felizmente uma infinidade de outros mais.

Comer é uma das grandes alegrias e considero as frutas, iguarias de Deus.

Casei-me em 1973 com um jovem médico charmoso e compenetrado. Trabalhei durante 20 anos na área de recursos humanos no laboratório clinico onde ele trabalhava.  Tivemos 4 filhos. Custei a acreditar que os pudesse levar para casa quando nasceram tal a estranha felicidade que trouxeram. Estranha porque a  responsabilidade era muito grande e eu nem sempre sabia o que fazer  quando choravam.  Meu bisavô costumava dizer que criança é gente pequena e eu aos 26 anos,  pouco sabia sobre gente, quanto mais sobre filhotes de gente.  Aprendi pouco a pouco, à força do encantamento.  Eu deveria ter usado babador de gente grande de tanto  maravilhamento eu sentia quando tudo estava calmo e bem. 

Em 2003 organizei o livro de falinhas infantis “Me dá para teu contente que eu te dou o meu” publicado pela Verus Editora. Foi ilustrado pelas crianças e jovens da Fundação Sindrome de Down de Campinas.

Apesar da formação em colégio de freiras, minhas inquietações me levaram a buscar caminhos espíritas e em seguida budismo, taoismo, sufismo. Finalmente cheguei ao Pathwork,  onde num grupo de estudos e formação, dedicado ao autoconhecimento e  a meditação.

Já me disseram que sou metida a querer ensinar. Em parte é verdade. Se eu não compartilhar o que me maravilhou ao longo da vida, morro de indigestão.

Aprendi que o ser humano é ainda imperfeito porque está em fase de construção. Quando aceita e respeita as próprias imperfeições, também aceita e respeita as imperfeições do outro.  Assim aprende a transformar pensamentos maus em pensamentos bons, cultivando preparativos para toda sorte de amor.

Aprendi também que o Amor está acima de tudo. É  o que dá gosto e sentido à vida. 
Sei que nem  sempre é possível amar ao próximo, mas  é possível respeitar sua essência.

Aprendi ainda que a Verdade de cada momento e a Coragem para equilibrar o Respeito a Si mesmo e ao Outro, são valores que devem ser preservados a qualquer custo porque dão origem a todos os outros valores. 

Cristina Mattoso